Peeling de fenol: tratamento tem indicação restrita e exige precauções 

Especialistas da Wyden explicam porque a substância que vitimou um empresário em São Paulo pode ser perigosa e alertam para cuidados na hora de contratar procedimentos estéticos em geral 

Nada mais saudável que buscar a melhor aparência e ter autocuidado. Mas, assim como todos os tratamentos que envolvem a saúde e o bem-estar, os procedimentos estéticos também exigem precauções e sua aplicação precisa ser realizada somente por profissionais capacitados. Esta semana, um empresário de São Paulo foi mais uma vítima fatal da busca pela beleza a qualquer preço, ao se submeter a um peeling de fenol, tratamento bastante complexo, ministrado por uma “influencer” das redes sociais. 

“O peeling é um tratamento estético que realiza a remoção das camadas superficiais da pele, conferindo, assim, um aspecto mais jovem e renovado, e é normalmente usado para combater os sinais de envelhecimento ou sequelas da acne, por exemplo”, explica Dailys Bergesch, professora do curso de Estética e Cosmética da Wyden. “Podem ser usadas uma série de substâncias, o fenol é uma delas. Ele surgiu na década de 60 e virou moda nos anos 90, mas hoje sua indicação é bastante restrita e já existem opções mais brandas com os mesmos resultados”. 

Dailys esclarece que o fenol causa diversas alterações fisiológicas durante a sua aplicação e pode ser tóxico para o sistema nervoso, cérebro, coração e fígado, por isso demanda muita cautela. “O que acontece é que as pessoas muitas vezes querem resultados rápidos e se submetem a procedimentos agressivos sem avaliar primeiro se podem ter alguma contraindicação. O fenol traz riscos de arritmias cardíacas, respiração irregular, fraqueza muscular, perda da coordenação, convulsões e coma, levando até à morte, como nesse caso, infelizmente”.  

A professora da Wyden revela ainda que o custo médio de um peeling de fenol gira em torno de 15 mil reais, por isso muitas pessoas não habilitadas para a técnica acabam se aventurando nas aplicações. “No caso de um tratamento mais agressivo como esse, é essencial que sejam feitos exames prévios para avaliar o estado geral de saúde do paciente, e que o profissional seja capacitado para lidar com qualquer possível efeito adverso ou complicações que possam ocorrer durante o procedimento”. 

Dicas para não correr riscos 

Alice Bella Lisbôa, coordenadora do curso de Estética e Cosmética, acrescenta que é fundamental que os interessados em fazer qualquer procedimento estético busquem se informar adequadamente sobre a técnica e o profissional antes de se submeter a qualquer intervenção. Confira as recomendações: 

1) “A primeira medida é se certificar de que o profissional em questão seja esteticista formado como técnico, tecnólogo ou bacharel em estética, pois desde 2018 é uma profissão regulamentada e reconhecida. Muita gente se diz esteticista sem a devida formação. Cada profissional tem seu limite de atuação e é fundamental saber se está legalmente habilitado para esta técnica. Também é bom fazer uma busca na internet pelo nome do profissional e verificar se não possui processos jurídicos”. 

2) “Nunca se deve buscar informações sobre procedimentos de saúde apenas pelas redes sociais, pois ali a informação pode ser manipulada de qualquer maneira, os anúncios são comprados, e “influencers” não são necessariamente profissionais de saúde. É preciso ver o currículo daquele profissional e pedir comprovantes da sua formação e experiência”. 

3) “Peça todas as informações sobre os riscos dos procedimentos, quais são os exames prévios necessários, se podem ser realizados fora de ambiente hospitalar e como é a estrutura de atendimento no caso de uma possível complicação”. 

4) “Procure visitar antes o local do atendimento e verificar se há suporte de manutenção à vida e entrada e saída de ambulância para casos de emergência, mesmo que seja uma clínica médica”. 

5) “Investigue os preços usuais do procedimento e não escolha um profissional apenas por ser o mais barato. Se o preço está muito abaixo do mercado, provavelmente há algo errado, como o uso de material de qualidade ou procedência duvidosa, por exemplo”. 

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