Procura por vacinação em farmácias cresceu 56% em um ano
Expansão das salas de vacinação e facilidade de acesso ajudam a impulsionar serviço; em Manaus, farmácias ampliam oferta de imunizantes
A procura por vacinação em farmácias cresceu 56% em 2025, na comparação com o ano anterior, segundo levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). O avanço acompanha a expansão das salas de vacinação nesses estabelecimentos e reforça uma mudança no comportamento dos brasileiros, que passaram a encontrar também nas farmácias uma alternativa para manter a imunização em dia.
A facilidade de acesso está entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento. Presentes em diferentes bairros e, muitas vezes, com horários de funcionamento mais amplos, as farmácias passaram a oferecer serviços de saúde que vão além da dispensação de medicamentos, como vacinação, testes rápidos e aferição de pressão.
“Percebemos um aumento importante na procura por vacinação nas farmácias desde o início da oferta do serviço. O público varia desde idosos, que preferem a praticidade da imunização sem precisar agendar ou enfrentar filas, até quem precisa de vacina com mais urgência, por exemplo, antes de viajar”, afirma o supervisor farmacêutico da rede Santo Remédio, Jhonata Vasconcelos.
Em Manaus, a rede já conta com unidades equipadas com salas de vacinação. Entre os imunizantes disponíveis estão os destinados à prevenção de influenza, hepatites A e B, dengue, HPV e herpes-zóster. O atendimento é realizado por farmacêuticos habilitados para a aplicação das doses, em ambientes reservados.
Segundo Vasconcelos, o procedimento segue os protocolos sanitários exigidos para o serviço de vacinação. “O farmacêutico é capacitado para aplicar a vacina com segurança e para orientar o cliente sobre esquema vacinal e possíveis reações”, explica.
Para o supervisor, a proximidade com a rotina da população é uma das vantagens desse modelo. “A farmácia está no bairro, no caminho de casa para o trabalho. Isso facilita o acesso de quem, muitas vezes, não conseguiria ir a uma unidade de saúde em horário convencional ou não teria disponibilidade para esperar por um agendamento”, diz.
Cobertura vacinal
A ampliação dos locais onde é possível buscar imunização ocorre em um momento de recuperação da cobertura vacinal no Brasil. O número de crianças que não receberam nenhuma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche caiu de 255 mil, em 2024, para 50 mil em 2025, segundo as Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC).
O resultado representa uma redução de aproximadamente 80% em apenas um ano. De acordo com OMS e Unicef, o avanço reflete tanto a melhora da cobertura vacinal quanto o aperfeiçoamento dos sistemas brasileiros de registro e divulgação dos dados de imunização.
Para Vasconcelos, aumentar as possibilidades de acesso pode contribuir para que mais pessoas mantenham a carteira de vacinação atualizada. Nesse cenário, as farmácias funcionam como uma alternativa complementar aos demais pontos de imunização.
Antes da dose
A maior facilidade para encontrar vacinas, no entanto, não elimina a necessidade de avaliar qual imunizante é indicado para cada pessoa. Idade, histórico vacinal e condições de saúde podem interferir tanto na recomendação quanto no esquema de doses.
“É sempre importante ouvir um profissional de saúde para saber quais vacinas são indicadas para cada idade e verificar se há alguma contraindicação, já que algumas podem não ser recomendadas para certos grupos ou ser exclusivas de outros”, ressalta Vasconcelos.
A oferta de vacinação em farmácias no Brasil foi possibilitada pela regulamentação desses estabelecimentos como unidades de assistência à saúde. Para prestar o serviço, é necessário cumprir requisitos sanitários e contar com profissionais habilitados, além de estrutura adequada para armazenamento e aplicação dos imunizantes.
Com informações da assessoria


