Economia: ‘Cultura do torcedor’ deve potencializar lucros dos microempreendedores, durante o Festival de Parintins, afirma especialista em negócios

Especialista argumenta que camisa temáticas dos bois misturadas com o tema Copa devem ser um dos destaques das vendas, assim como os serviços autônomos dos maquiadores e vendedores de almofadas para as arquibancadas

A menos de 15 dias para o Festival de Parintins, o especialista em gestão e empreendedorismo, professor Flávio Guimarães da Estácio, revela que a experiência do cliente e a ‘cultura do torcedor’ são os pilares para quem deseja fazer uma renda extra, seja em Manaus ou em Parintins. Para ele, adereços e customização, bebidas e logística de transporte e conforto devem ser os três eixos mais procurados pelos brincantes

Sobre cada um, o especialista explica: “Pode se vender itens que transformam o visual do torcedor de forma rápida (tiaras, brincos de penas sintéticas ou miçangas, franjas e coletes customizados). O torcedor quer exclusividade para os três dias de festa. Já o ramo de alimentos e bebidas de rápido preparo e fácil consumo térmico, nas filas do Bumbódromo. Kits de lanches e bebidas, bem geladas, têm giro altíssimo e tem destaque de lucro, se levarmos em conta, a chegada do alto verão amazônico. Além disso, o aluguel de almofadas para a arquibancada da galera, capas de chuva personalizadas, carregadores portáteis (power banks) e protetores auriculares podem ser a salvação dos torcedores, que perdem os acessórios ou irão sem esses itens”, orienta o professor da Estácio.  Para ele, o segredo é estar com o estoque pronto e a logística de vendas validada antes do fluxo massivo de turistas começar.

Questionado se é melhor produzir ou revender itens, o especialista explica que esta é uma decisão que depende de dois fatores matemáticos: capacidade produtiva (tempo) e margem de lucro desejada e sinaliza quais pontos, o microempreendedor deve se atentar:

– Produção Própria: É ideal se o empreendedor possui mão de obra rápida e acesso a insumos baratos. A vantagem é a exclusividade e a margem de lucro, que costuma ser bem maior. O risco é o gargalo: se a demanda explodir, ele pode não conseguir produzir a tempo.

– Compra para Revenda: É a melhor opção se o objetivo for escala e velocidade. O empreendedor compra no atacado (em Manaus ou grandes centros) e ganha no volume de vendas em Parintins. A margem por unidade é menor, mas o risco de faltar produto diminui.

– Regra de ouro técnica: Calcule o custo da sua hora de trabalho. Se o tempo gasto produzindo um item impede você de estar na rua vendendo três ou quatro itens comprados prontos, a revenda é o melhor caminho para o Festival.

Qual a tendência deste ano?

Flávio Guimarães explica que o mercado de Parintins está cada vez mais atento à moda e ao comportamento. As principais tendências para este ano são:

Camisas Temáticas (Futebol e Cultura Pop): A fusão das camisas de futebol da seleção (estilo blockcore) com as cores e os símbolos dos bois é uma tendência absoluta. O torcedor jovem adora essa linguagem urbana misturada à tradição.

Estética “Festival” + Sustentabilidade (Biojoias): As biojoias continuam fortes, mas com uma pegada mais moderna. Peças que misturam sementes e fibras regionais com elementos metalizados ou neon (Garantido e Caprichoso) estão em alta.

Acessórios de Cabeça (Bonés e Chapéus Bucket): O boné e o chapéu estilo bucket (nas cores vermelha ou azul) deixaram de ser apenas proteção contra o sol amazônico e viraram item de estilo indispensável. Estampas minimalistas ou com os grafismos dos bois são apostas certeiras.

(Sair de Manaus para vender em Parintins)

O profissional argumenta que deslocar-se de Manaus para Parintins exige um rigoroso planejamento de custos de barreira. Ele explica que o erro mais comum é esquecer que o lucro só começa depois que todos os custos fixos da viagem forem pagos. Ele elenca que deve ser avaliado imediatamente:

– Custo de Logística: Passagem (jato, barco ou avião) de ida e volta, frete da mercadoria e transporte interno na ilha.

– Custo de Estadia e Alimentação: Parintins inflaciona durante o festival. Esse valor diário precisa entrar no custo fixo do negócio.

– Taxas Locais: Licenciamento junto à Prefeitura de Parintins para ambulantes ou ocupação de solo.

Como construir o Plano Básico de Lucro:

– Passo 1: Some todos os custos da viagem (transporte + hospedagem + alimentação + mercadoria). Digamos que o total seja R$ 3.000.

– Passo 2: Defina o preço de venda do seu produto com base no mercado local.

– Passo 3 (Ponto de Equilíbrio): Divida o custo total pelo preço do produto para saber quantas unidades você precisa vender apenas para empatar o investimento. (Ex: Se o produto custa R$ 50, você precisa vender 60 unidades para pagar a viagem).

– Passo 4 (Margem de Lucro): Tudo o que for vendido acima do ponto de equilíbrio será o seu lucro real. Se a meta de vendas não for realisticamente maior que o ponto de equilíbrio, a operação não é viável.

Para profissionais de beleza, qual a dica?

Conforme o professor, este é um ponto altíssimo e um dos mercados mais lucrativos do Festival. Ele argumenta que público feminino e os próprios brincantes investem pesado na estética para os dias de festa. Porém, a exigência de organização para quem vai de Manaus é estratégica e operacional. Para estes profissionais autônomos, é necessário observar:

Logística de Insumos e Energia: O profissional precisa levar absolutamente tudo (maquiagens de alta resistência ao suor e ao calor úmido, fixadores potentes, babyliss, chapinhas). Além disso, é vital levar extensões elétricas, benjamins (adaptadores) e, se possível, ring lights portáteis com bateria, já que a rede elétrica da ilha sofre alta demanda e a iluminação dos locais de hospedagem pode não ser adequada.

Gestão de Agenda (O maior gargalo): O tempo de atendimento em Parintins é concentrado no período da tarde (antes do início das apresentações). O profissional precisa criar um cronograma rígido (ex: 45 minutos por cliente) para maximizar o faturamento sem atrasos.

Agendamento Prévio e Sinal: Não se deve ir para Parintins esperando conseguir clientes na hora. O ideal é abrir a agenda em Manaus, fechar os pacotes para os três dias de festival e cobrar um sinal (sinal de 30% a 50%) para garantir o compromisso do cliente e cobrir os custos iniciais da viagem.

Com informações da assessoria

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