Obesidade: quando o emocional pesa

Nutricionista da Estácio explica como emoções e comportamento alimentar caminham lado a lado e destaca a importância do olhar multidisciplinar no tratamento

Segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica – ABESO, a estimativa é de que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estejam acima do peso. Especialistas ressaltam que a obesidade vai muito além da balança e está profundamente ligada à saúde mental. O excesso de peso pode gerar ansiedade, baixa autoestima e isolamento social, enquanto o estresse, a tristeza e a chamada “fome emocional” podem levar ao aumento do consumo de alimentos calóricos e ultraprocessados, que ativam substâncias cerebrais associadas ao prazer.

Segundo a nutricionista e docente da Estácio, Cremilda Amaral, essa é uma relação de mão dupla: o emocional influencia o peso e o peso impacta o emocional. “Tratar a obesidade exige olhar além da alimentação e do exercício físico. Não basta apenas restringir calorias se as emoções continuam conduzindo escolhas automáticas e nocivas. É preciso compreender o que leva a pessoa a comer além da fome e identificar os gatilhos emocionais que alimentam esse ciclo”, afirma.

A chamada “fome emocional” ocorre quando a comida é usada como forma de aliviar sentimentos difíceis, como estresse, frustração ou tristeza, trazendo um alívio momentâneo, mas que não resolve a causa do problema. Entre os gatilhos mais comuns estão o tédio, a ansiedade e a rotina exaustiva. A baixa autoestima também tem papel importante, já que muitas pessoas, ao se sentirem insatisfeitas com o próprio corpo, acabam comendo mais para aliviar a dor emocional ou compensar a frustração, reforçando o ciclo do ganho de peso.

Além do aspecto psicológico, o preconceito e a gordofobia agravam o quadro. “O medo do julgamento afasta muitos indivíduos da prática de exercícios e do acompanhamento profissional, aumentando o sofrimento e a tendência ao comer compulsivo”, explica Cremilda.

A pressão estética também contribui para o desequilíbrio emocional, gerando ansiedade e frustração quando os resultados não aparecem rapidamente. Esse cenário leva a ciclos de dietas restritivas e abandono, que prejudicam a saúde física e mental. Por isso, a especialista reforça a importância de um tratamento multidisciplinar: o nutricionista orienta a alimentação, o médico avalia as condições clínicas, o educador físico guia a prática de exercícios e o psicólogo trabalha o emocional. “Essa integração aumenta as chances de sucesso e ajuda a manter o equilíbrio de forma sustentável”, observa.

O acompanhamento psicológico, segundo ela, é útil em qualquer fase do processo, já que episódios de fome emocional estão cada vez mais comuns. O apoio terapêutico auxilia na identificação de padrões de pensamento e no desenvolvimento de estratégias para lidar com as emoções sem recorrer à comida.

A especialista também destaca que a organização da rotina e o cuidado com o sono fazem diferença no dia a dia. “Manter horários regulares para as refeições ajuda a reduzir a ansiedade sobre o que comer. Dormir bem, evitar o consumo de cafeína nas horas que antecedem o sono e reduzir o tempo de tela antes de dormir são atitudes simples que melhoram o equilíbrio emocional”, recomenda.

Estudos recentes reforçam essa conexão entre mente e corpo, mostrando que a saúde intestinal influencia o humor e o comportamento alimentar, e que o estresse crônico e o sono ruim favorecem o ganho de peso. Para Cremilda, a obesidade ainda é tratada de forma limitada pela sociedade e pelos sistemas de saúde. “Ainda há muito foco apenas em dieta e exercício, sem considerar o aspecto emocional. Precisamos combater a gordofobia e ampliar o acesso a programas de acompanhamento multidisciplinar. A obesidade deve ser vista como uma condição de saúde complexa, que exige acolhimento e não julgamento”, conclui.

Com informações da assessoria

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