Defensoria do Amazonas leva escuta especializada a pessoas idosas no bairro Tarumã
A ação reuniu cerca de 40 moradores e mapeou dificuldades de acesso a serviços essenciais na saúde, transporte público, documentação e benefícios sociais
Ir até os bairros de Manaus para ouvir as pessoas idosas e entender os problemas enfrentados no dia a dia. Foi com essa proposta que a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou, nesta quinta-feira (7/5), uma escuta especializada na Associação Idoso Paz e Bem, localizada na rua Walter Pinto, no bairro Tarumã. A ação apresentou os serviços da Instituição para população idosa para que os direitos cheguem até as comunidades.
A atividade foi coordenada pelo Núcleo de Atendimento e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (Nuappi) e reuniu cerca de 40 moradores. Durante o encontro, foram apresentados relatos sobre demora em atendimentos de saúde, dificuldades no transporte público, bloqueios de benefícios sociais, entre outros.
“Muitas dessas pessoas têm dificuldade de acessar os serviços da Defensoria porque não conseguem ir até as unidades. São pessoas com mobilidade reduzida, problemas de saúde e que acabam desacreditando que podem ter acesso aos próprios direitos”, explicou o coordenador do núcleo, defensor público Marcelo Pinheiro.
“É ouvindo essas pessoas que conseguimos entender os problemas reais enfrentados por elas. Em cada bairro surgem dificuldades diferentes e é importante que a Defensoria esteja presente nesses espaços”, acrescentou.
Transporte público
O transporte público apareceu entre as reclamações mais recorrentes nesta manhã. Morador da comunidade desde 2002, Manuel Pereira, de 62 anos, relatou dificuldades frequentes para embarcar nos ônibus.
“Quando eu estou sozinho na parada, o ônibus não para. Parece brincadeira, mas é a realidade”, contou.
Além da dificuldade de acesso ao transporte, os idosos também relataram situações de desrespeito dentro dos coletivos, principalmente em relação aos assentos preferenciais.
Saúde e documentação
A diarista Celismar dos Santos Rocha, 61, contou que aguarda atendimento médico há quase dez anos após sofrer uma queda dentro de um ônibus.
“Fiquei com sequela na coluna. Tenho receita, radiografia, tenho tudo. Mas quando eu chego, nunca tem médico”, relatou.
Problemas relacionados à documentação também foram apresentados durante a escuta. Moradora do Parque Riachuelo, Jesus de Raimunda, 60, afirmou que o marido não conseguiu emitir a carteira de identidade após ser encaminhado para diferentes unidades de atendimento.
“A pessoa idosa acaba desistindo porque mandam para um lugar, depois para outro e ninguém resolve”, disse.
De acordo com o defensor Marcelo Pinheiro, os casos apresentados durante a atividade serão encaminhados às defensorias responsáveis por cada demanda. A intenção também é manter um canal direto entre a associação e a Defensoria para facilitar novos atendimentos.
“É um direito deles e uma obrigação nossa. Então essa iniciativa é justamente para garantir esses direitos e realmente efetivar no dia a dia, na prática, o trabalho da Defensoria Pública”, concluiu.
Com informações da assessoria



