Alergias atingem até 40% da população e impactam mais os centros urbanos
Poluição, estilo de vida urbano e subdiagnóstico impulsionam avanço das doenças alérgicas no Brasil e no mundo
As doenças alérgicas atingem entre 30% e 40% da população mundial e já são consideradas um desafio crescente de saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que cerca de 30% da população tenha rinite alérgica e 10%, asma —quadros que tendem a se agravar nos centros urbanos, impulsionados pela poluição e pelo estilo de vida.
Dados do Atlas Global de Alergia da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI) indicam que, até 2050, metade da população mundial poderá ter algum tipo de alergia. No entanto, especialistas alertam que o tratamento ainda é frequentemente focado apenas no alívio dos sintomas, sem investigar os gatilhos das crises.
“O subdiagnóstico ainda é um problema importante. Muitos pacientes convivem por anos com sintomas recorrentes, como coceira, tosse, dermatite e desconfortos gastrointestinais, sem chegar à causa real”, afirma Leonardo Abreu, médico de família e comunidade e coordenador técnico da Amparo Saúde, empresa de Atenção Primária à Saúde do Grupo Sabin.
Segundo ele, isso leva ao uso frequente de medicações que aliviam momentaneamente os sintomas, mas não resolvem o problema de base.
Avanços diagnósticos
Atualmente, a medicina diagnóstica dispõe de exames de alta precisão para identificar os agentes causadores das alergias, como a IgE específica, os painéis de alérgenos e o diagnóstico molecular por componentes (CRD). Esse último é capaz de identificar qual molécula (proteína) causa a alergia e diferenciar alergias verdadeiras de reações cruzadas.
“Esses exames ajudam a sair do campo da suspeita e trazer mais objetividade para o diagnóstico”, explica Abreu. Feitos a partir de uma coleta de sangue, os testes permitem mapear a quais substâncias o paciente está sensibilizado, como ácaros, pólens, alimentos ou pelos de animais.
Nas grandes cidades, os principais desencadeadores de alergias costumam ser ácaros, poluição do ar, mofo, pólen, pelos de animais e, em alguns casos, alimentos ultraprocessados. “O estilo de vida urbano contribui bastante: ambientes fechados, pouca ventilação, maior exposição à poluição e mudanças no padrão alimentar”, analisa o médico.
Além desses fatores, ele cita a chamada “hipótese da higiene”, que relaciona a menor exposição a microrganismos ao longo da vida ao desenvolvimento de alergias, como uma possível explicação para o aumento desses quadros nos centros urbanos.
Tratamento personalizado
Uma vez identificado com precisão o gatilho das alergias, é possível instituir um tratamento personalizado, atuando na raiz do problema. “Em vez de apenas controlar sintomas, passamos a adotar medidas de prevenção mais direcionadas, com ajustes ambientais, orientação alimentar ou até imunoterapia em alguns casos”, destaca Abreu.
Com isso, é possível reduzir crises, evitar uso contínuo de medicamentos e melhorar a qualidade de vida — especialmente nos casos crônicos. “A pessoa passa a entender melhor o próprio quadro e ganha mais previsibilidade no dia a dia, o que faz bastante diferença, principalmente nos casos crônicos”, complementa o médico.
Com informações da assessoria



