Defensoria recomenda à SES-AM redução do tempo de espera de consultas de pré-natal de alto risco para, no máximo, 10 dias

Tempo médio de 51 dias entre a inserção no Sisreg e a realização da consulta na rede pública de saúde do Amazonas é uma forma de violência obstétrica silenciosa, pois priva a mulher de uma assistência digna no momento em que ela está mais vulnerável

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) recomendou à Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM) que reduza o tempo médio de espera para consultas de pré-natal de alto risco, para, no máximo, 10 dias. A Recomendação nº 2/2026-SDO/DPE-AM foi publicada no Diário Oficial Eletrônico da DPE-AM. 

Assinada pelas defensoras públicas Caroline Souza e Suelen Paes Menta, a recomendação orienta que, em 30 dias, a pasta adote as medidas para reduzir o tempo entre a inserção da solicitação no Sistema de Regulação (Sisreg) e a efetiva realização de consultas de pré-natal. As medidas que serão adotadas devem ser informadas dentro de 15 dias. 

Em resposta a um ofício encaminhado pelo Comitê Multi-institucional de Enfrentamento à Violência Obstétrica, a Secretaria Executiva de Assistência da SES-AM informou que o tempo médio de espera, em setembro de 2025, entre a inserção da solicitação no Sisreg e a efetiva realização da consulta de pré-natal de alto risco é de 51 dias. 

As defensoras, que coordenam o comitê, explicam que a demora para atendimento médico especializado coloca em risco direto a vida da gestante e do bebê. “Em quadros clínicos complexos, o tempo é o fator determinante entre um parto seguro e uma tragédia”, destaca Caroline Souza. 

“A demora excessiva no Sisreg configura uma forma silenciosa de violência obstétrica, pois priva a mulher de uma assistência digna no momento em que ela está mais vulnerável”, acrescenta. 

A recomendação frisa que a Lei Estadual nº 4.848/2019 prevê que recusar, impedir ou retardar o atendimento de saúde oportuno e eficaz à mulher, em qualquer fase do ciclo gravídico-puerperal, desconsiderando a necessidade de urgência da assistência à mulher nesses casos, caracteriza violência obstétrica. 

“Não podemos aceitar que um sistema de regulação seja um obstáculo para o acesso à saúde. Nosso objetivo com a recomendação é reduzir esse tempo de espera para, no máximo, 10 dias, assegurando que o direito ao acompanhamento médico adequado seja efetivado de forma célere e humanizada em todo o Amazonas”, complementa a defensora Suelen Paes Menta. 

Com informações da assessoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também

No Careiro Castanho, Defensoria do Amazonas realiza capacitação para agentes que atuam na Ronda Maria da Penha 

Policiais militares, guardas e servidores que atuam na Ronda Maria da Penha do município de Careiro Castanho, distante 88 quilômetros de Manaus, receberam um curso de capacitação promovido pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), por meio do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), nesta quarta-feira (05/08), na unidade […]