Em comunidade ribeirinha de Borba, mãe solo busca a Defensoria para dar entrada no pedido de pensão da filha 

Após passar pelas Terras Indígenas Kwatá-Laranjal, a ação “Defensoria Tá na Área” chegou nesta quinta-feira à comunidade ribeirinha Foz do Canumã, com atendimentos jurídicos nas áreas de Família e Registros Públicos

A 12 horas de barco do município de Borba está localizada a comunidade Foz do Canumã. Nela, Kythe Vitória, de 20 anos, vivencia as dificuldades impostas pelo isolamento geográfico e acesso limitado aos serviços públicos. Mãe solo da pequena Helena, de dois anos, ela encontrou na Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) um apoio para conseguir dar entrada no pedido de pensão alimentícia da filha. 

Esta é a primeira vez que uma ação de atendimento jurídico acontece nas Terras Indígenas Kwatá-Laranjal e na comunidade ribeirinha Foz do Canumã. Desde a última terça-feira (05/05), o “Defensoria Tá na Área” está percorrendo os locais, marcando as comemorações do Mês da Defensoria. 

Uma das primeiras pessoas a ser atendidas nesta quinta-feira foi a Kythe Vitória. Com a filha no colo, ela veio em busca do pedido de pensão alimentícia, um direito garantido por lei para que a filha tenha acesso adequado à moradia, alimentação, gastos com material escolar, entre outras necessidades básicas. 

Emocionada ao sair do atendimento com a equipe, a jovem comemorou o início do processo de pedido de pensão. 

“O dia a dia de cuidados com ela (a filha) é muito sofrido e é uma rotina muito pesada para mim. Aqui, um pacote de fraldas chega a custar R$ 70 e dependemos das nossas vizinhas, às vezes. Foi uma maravilha a Defensoria aqui, porque dá uma esperança”, disse. 

A luta da maternidade solo no interior do Amazonas

Enquanto caminhava por uma estrada, de volta para casa, Kythe contou sua história. Para ela, a maternidade chegou aos 17 anos. Três meses após o nascimento de Helena, o companheiro da jovem foi embora e deixou a filha aos cuidados da mãe. Na época, ela estava entrando no Ensino Médio e precisou abandonar os estudos para se dedicar integralmente à filha. 

Após alguns minutos de caminhada pela estrada asfaltada, Kythe indica que o caminho agora é pela mata para chegar em casa. Segundo ela, além da distância de Borba, também precisa enfrentar a distância da sua residência para as áreas mais povoadas dentro da própria comunidade. 

A pequena casa de madeira surge em meio às árvores e um igarapé. Com Helena no colo, a jovem puxa um banco, se emociona novamente, e conta o que espera a partir do apoio da Defensoria, durante a manhã de hoje. 

“Com o valor da pensão, eu vou poder comprar coisas melhores para a Helena. Como mãe, eu sonho um futuro diferente para ela, que ela siga outro caminho, focando nos estudos. O que eu fiz hoje foi um primeiro passo para isso e para que eu consiga terminar os estudos em paz e trabalhar”, acrescentou a jovem. 

É o que sonha também a mãe de Kythe, dona Valdemarina Mendonça, de 62 anos. Além da filha, a idosa também buscou a Defensoria para tirar a segunda via da certidão de nascimento e, assim, dar entrada no seu processo de aposentadoria. Para ela, a maior emoção do dia foi ver a filha em busca dos direitos da neta. 

“O choro dela é o meu, porque somos só nós três em casa, só mulheres. É uma vida difícil, porque para sair daqui precisa pegar a catraia e pagamos caro para chegar até a cidade. Agradeço a Deus a chegada da Defensoria, uma benção mesmo, porque conseguir tirar documentação e dar entrada nesse processo dela de graça, isso para a gente é tudo”, comentou.  

Assim como Kythe, mulheres de todo o Amazonas podem procurar a Defensoria Pública para dar entrada no pedido de pensão alimentícia. Os agendamentos podem ser feitos por meio do site https://atendimento.defensoria.am.def.br e pelo Whatsapp através do número (92) 98559-1599. 

Com informações da assessoria

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