Da prática clínica à dúvida online: 78% dos médicos e 49% dos pacientes digitalizados utilizam IA na saúde no Brasil

Pesquisa realizada pela Afya e Conexa aponta que IA ganha espaço na rotina médica, mas decisão final segue com o profissional; pacientes recorrem à tecnologia para tirar dúvidas sobre sintomas, doenças ou diagnósticos

78% dos médicos brasileiros utilizam inteligência artificial na prática clínica. Os dados são da pesquisa “Panorama do uso de IA em saúde: perspectiva do médico e do paciente”, realizada pela Afya, maior ecossistema de educação e soluções para prática médica do Brasil, com a healthtech Conexa. Realizado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, o levantamento ouviu 551 médicos e 511 pacientes em todo o país e apresenta nível de confiança de 95%, com margem de erro de 4 pontos percentuais.

A pesquisa aponta que a adoção da tecnologia é massiva, mas a supervisão humana continua inegociável. Prova disso é que 63% dos médicos afirmam já terem corrigido um erro gerado por ferramenta de inteligência artificial antes de usar as informações no atendimento clínico. Médicos com maior familiaridade com ferramentas digitais (73%) são justamente os que mais relatam inconsistências geradas pela IA e, ao mesmo tempo, os que mais conseguem identificá-las e corrigi-las antes de aplicar qualquer orientação, indicando um uso mais consciente e crítico.

A tecnologia tem sido incorporada principalmente como apoio à decisão clínica. Entre os usos mais comuns, 74% dos médicos recorrem à IA para pesquisar medicamentos e interações medicamentosas, como assistentes para dúvidas clínicas (66%) e para buscar por evidências científicas (58%), sinalizando que a ferramenta serve, sobretudo, para embasar decisões e reduzir incertezas na prática médica.

É o caso da médica de família e comunidade com atuação em patologias alérgicas, Neane Magalhães, que utiliza ferramentas de IA para consulta de dúvidas rápidas sobre determinados casos. “É uma tecnologia boa, que facilita, mas que ainda está em processo de aperfeiçoamento. Por isso, sempre que identifico qualquer incossistência recorro a literatura”, explica.

A médica, que também é professora da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru ressalta que a longo prazo as ferramentas de IA estarão cada vez mais incorporadas na rotina, mas isso não significa que o profissional não será necessário, pelo contrarário, é quando o olhar individualizado do médico será mais demandado.

Burocracia no alvo: onde a IA libera mais tempo

A tecnologia também aparece para auxílio em tarefas operacionais e administrativas. O preenchimento de relatórios e documentos é citado por 34% dos médicos, seguido pelo uso de prontuário por voz, mencionado por 28% dos entrevistados. Os dados sugerem que a principal expectativa está na redução do tempo gasto com burocracia e registros, ampliando o tempo disponível para o atendimento ao paciente.

“Estamos diante de uma mudança estrutural na prática médica, e os dados deixam isso claro: quanto mais o médico conhece as ferramentas de IA, mais ele é capaz de identificar suas limitações. A tecnologia já faz parte da rotina de 9 em cada 10 médicos brasileiros, e o desafio agora é garantir que essa adoção seja crítica, segura e baseada em evidências. O julgamento clínico continua sendo insubstituível,” explica Eduardo Moura, médico e diretor do Research & Innovantion Center da Afya.

A expectativa para os próximos três anos aponta para um modelo de convivência entre médicos e inteligência artificial, e não de substituição. Em todas as etapas da rotina médica analisadas, a tecnologia é percebida majoritariamente como ferramenta de apoio. A substituição total aparece de forma mais pontual em tarefas administrativas, como agendamento de consultas (24%), prontuário e registro clínico (13%) e triagem de pacientes (11%).

Nesse contexto, questões relacionadas à segurança e ao uso de dados também surgem como ponto de atenção. Segundo a pesquisa, 37% dos médicos citam esse fator como uma das preocupações no uso da inteligência artificial na prática clínica, reforçando a importância de ferramentas confiáveis e baseadas em evidências científicas.

Pacientes usam IA para entender, não para substituir o médico

Do lado dos pacientes, o estudo indica que, embora a tecnologia seja familiar, ainda há resistência quando o assunto é atendimento em saúde. Segundo o levantamento, 95% dos entrevistados conhecem inteligência artificial e 79% já utilizaram ferramentas desse tipo no dia a dia.

Entre os pacientes que utilizam a IA em saúde (49%), 66% recorrem à tecnologia para tirar dúvidas sobre sintomas, doenças ou diagnósticos, 55% para interpretar exames e laudos e 49% para obter informações sobre medicamentos. Os dados indicam que, para pacientes, a IA funciona como um recurso de apoio informacional, acionado principalmente em momentos de dúvida ou para ampliar a compreensão sobre o próprio cuidado e não como substituto das interações com profissionais de saúde.

Essa postura de complementaridade também aparece entre os médicos. De acordo com a pesquisa, 40% dos profissionais acreditam que consultas totalmente conduzidas por inteligência artificial nunca se tornarão realidade, reforçando a expectativa de que a tecnologia atue como apoio e não como substituta do cuidado humano.

“A inteligência artificial tem potencial para ampliar o acesso e melhorar a eficiência do cuidado, mas sua adoção precisa vir acompanhada de critérios de segurança, validação científica e supervisão médica”, afirma Guilherme Weigert, CEO da Conexa.

Com informações da assessoria

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