Autismo atinge 2,4 milhões no Brasil e exige cuidado baseado em evidências

A disseminação de informações imprecisas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas redes sociais tem preocupado especialistas, que defendem a necessidade de diferenciar conhecimento científico de opiniões sem respaldo técnico. Diagnóstico criterioso e respeito às singularidades de cada indivíduo são apontados como fundamentais para um cuidado adequado.

Para a professora do curso de Psicologia da Estácio, Greice Carvalho, o aumento do acesso a informações trouxe avanços, mas também exige mais responsabilidade na interpretação. “O diagnóstico do autismo é essencialmente clínico, baseado na observação do comportamento, na escuta dos cuidadores e nos critérios do DSM-5-TR. Questionários e escalas auxiliam, mas não substituem uma avaliação cuidadosa”, explica.

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que impacta principalmente a comunicação, a interação social e os padrões comportamentais. Por ser um espectro, manifesta-se de maneiras distintas, com diferentes níveis de autonomia e necessidades de suporte. Dificuldades na interação social, peculiaridades na linguagem, interesses restritos, comportamentos repetitivos e alterações sensoriais estão entre os sinais mais comuns, que podem ser confundidos com timidez ou traços de personalidade.

Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, indicam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros declararam ter diagnóstico de TEA, o equivalente a aproximadamente 1,2% da população. A prevalência é maior entre homens e aparece com mais frequência na faixa etária de 5 a 9 anos, o que reforça a importância da identificação precoce e do acompanhamento adequado.

Diante de sinais sugestivos, a recomendação é buscar avaliação com equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e médicos especializados em desenvolvimento. Esse olhar ampliado contribui para maior precisão diagnóstica e para a compreensão do perfil funcional da criança além do rótulo.

A professora também chama atenção para fatores que podem mimetizar sintomas do espectro, como vulnerabilidade social, privação de estímulos, ausência de interação qualificada e uso excessivo de telas. “Nem toda dificuldade relacional é autismo e nem todo autismo se apresenta da mesma forma”, destaca.

Ela reforça ainda que o autismo não é uma doença, não tem cura e não pode ser prevenido. Sua origem envolve múltiplos fatores (genéticos, biológicos e ambientais) e as intervenções devem ser baseadas em evidências científicas. Promessas de tratamentos milagrosos, segundo a especialista, podem gerar frustração e colocar famílias em risco.

Com informações da assessoria

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